| Espante o "bicho-papão", e alcance a aprovação no vestibular
Todo mundo sabe que um bom desempenho em redação é sinônimo de chances maiores de ser aprovado no vestibular, sobretudo para quem está optando pela área das ciências sociais, como Direito. Muitos candidatos esbarram na redação. Esse “bicho-papão” é facilmente superado pelos candidatos cuidadosos, mas a maioria sempre tem problemas em razão da falta de hábito de ler e de escrever.
Muita coisa tem mudado nos vestibulares, mas a valorização da habilidade da escrita, recado mais claro do perfil do aluno desejado pelas escolas de ensino superior, é item que está sempre em alta nas provas. Saiba que vencer o “bicho-papão” é o passaporte para a faculdade e que ele não é difícil de ser vencido.
O vestibulando deve ter consciência de que a escolha da dissertação pelos coordenadores de vestibulares é estratégica. Quase sempre é exigido um tipo de texto em que a capacidade argumentativa e de reflexão revela o potencial do candidato.
Por isto, se você vai enfrentar o vestibular da Unisulbahia, por exemplo, dê uma revisitada nos livros que você leu nos últimos anos e não deixe de ler também a literatura sinalizada pela instituição no manual do candidato. Se você tiver tempo, é bom ler alguns editoriais de jornais e revistas. Aqui na Folhapop você tem algumas opções de textos opinativos bem perto da linha do que é exigido no vestibular.
Para Maria Bernadete Abaurre, coordenadora-executiva do vestibular da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a seleção dos candidatos tem também uma função social e política. "Há um diálogo entre provas e alunos. Não queremos o aluno que aceite tudo o que está escrito. Nos recusamos a crer que o jovem não tenha o que dizer", explica a coordenadora, que cita ainda como resultado dessa valorização da redação a queda significativa no número de provas anuladas.
Algumas dicas para fazer uma boa redação:
• Dê toda a atenção possível ao tema proposto. Não corra o risco de ser reprovado por ter se afastado do tema.
• Planejar o texto ajuda a desenvolver o raciocínio. Defina sua idéia central, seu objetivo, estabeleça uma linha de argumentação e uma conclusão.
• Evite usar letra de forma, que dificulta a distinção entre maiúsculas e minúsculas. Uma boa grafia - legível e sem floreios - e limpeza são fundamentais. Não se esqueça dos pingos nos "i": não vale usar bolinhas no lugar deles.
• Não comece com períodos longos, exponha logo suas idéias. Não use expressões como "eu acho", "eu penso" ou "quem sabe", que mostram dúvidas em seus argumentos.
• Seja claro: evite usar palavras difíceis que possam prejudicar a compreensão de seu texto. Tenha em mente que sua redação deve se destacar pela unidade, clareza, coerência e concisão.
• Seja simples: não use palavras de cuja grafia você não tenha certeza. Em dissertações, não use gírias - elas não fazem parte da norma culta da Língua Portuguesa.
Não esqueça: as provas de redação têm maior peso na maioria dos vestibulares.
A professora Tânia Serrano Nakamura, que leciona gramática e redação desde 1986, nos colégios Objetivo e Católico, nos cursinhos Objetivo e Universitário e na Universidade de Santo André (SP), tem dicas interessantes para você não esbarrar no “bicho-papão”.
Faça o possível para evitar:
1) Emprego de pronome relativo.
• "Esta é a região a cujos os limites me referi há pouco"
Correção: Esta é a região a cujos limites me referi há pouco.
Comentário: cujo - pronome relativo: indica posse, equivale ao pronome possessivo seu, sua e concorda com o termo que sucede, dispensando, assim, o emprego do artigo (o, a, um, uma e seus plurais).
• Você vai conseguir falar com gente que você nunca falou antes..." Bol - Brasil Online (Folha de S.Paulo, 25.10.99)
Correção: " (...) falar com gente com quem/ com as quais você nunca (...)".
Comentário: o pronome relativo deve aparecer regido de preposição com, pois quem fala, fala com alguém.
• Os bancos internacionais, onde o Brasil é credor, decidiram rever as taxas de juros.
Correção: Os bancos internacionais, dos quais o Brasil é credor, ...
Comentário: o pronome onde, enquanto relativo deve sempre indicar lugar, exemplo, Eis o colégio onde estudo. O raciocínio que deve ser empregado neste exemplo é: o Brasil é credor de quem? - dos bancos internacionais; portanto, dos quais é credor.
2) Período longo demais.
A menos que tenha muita segurança no que está dizendo, o aluno deve evitar períodos longos demais. Muitas informações em um só período quase sempre resulta em falta de clareza e ambigüidade.
• "É segundo esta noção de projeto que vamos, a partir desta visão humanista da problemática urbana - sem deixar de levar em consideração as nossas condições de país de formação colonial - analisar os projetos de cidade expressos nos trabalhos de diversos órgãos federais."
Correção: Vamos analisar os projetos expressos nos trabalhos de diversos órgãos federais a partir de uma visão humanista da problemática urbana.
3) Frases muito curtas - estrutura incompleta.
• "Agora, época de eleição, a população cansada de enriquecer políticos, sem escolha de partido." (Redação de aluno)
Comentário: o trecho acima não foi concluído pelo aluno, dessa forma, a estrutura do período tornou-se incompleta.
Correção: Agora, época de eleição, a população cansada de enriquecer políticos, sem escolha de partido, fica à mercê de discursos moralistas que visam formar a opinião pública segundo os seus interesses.
4) Problemas de significado e construção.
• "Era um belo sábado, uma noite muito agradável onde um lobo ruiva no alto da colina dos Andes, demonstrando estar solidário ou anunciando sua solidão...." (Redação de aluno)
Comentário: O trecho acima, extraído de uma redação de vestibular, apresenta alguns problemas de significado e de construção:
a) uso inadequado da palavra onde;
b) imprecisão vocabular ruiva em lugar de uiva e solidário em lugar de solitário;
c) incoerência externa: presença de colinas nos Andes.
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